| Entrevista - André Venzon, diretor do MAC/RS |
|
Página 1 de 2 por Alexandre Nicolodi e Denis Nicola O MAC/RS, Museu de Arte Contemporânea do Rio Grande do Sul esta de cara nova. Criado em 1992, o MAC/RS jamais teve enquanto instituição, uma sede própria. Com breves respiros em suas gestões ao longo dos anos, os mesmos problemas crônicos que afligem a instituição persistiram durante anos e ainda reverberam pelos andares da Casa de Cultura Mário Quintana, local onde dispõe as suas instalações atualmente. São estes problemas que o novo diretor André Venzon, na qual conversamos para esta entrevista, coloca em questão e que pretende sanar na sua gestão.
PANORAMA CRÍTICO – Quais as maiores dificuldades que você encontrou quando assumiu o Museu de Arte Contemporânea (MAC/RS) no dia três de janeiro de 2011? Qual a real situação que o MAC/RS se encontrava naquele momento? ANDRÉ VENZON – Acho que a maioria das pessoas já sabia o que é o museu. Eu muito ouvi dizerem: - “Não, não é um Museu. Não existe o Museu de Arte Contemporânea do RS. O que existe é uma sala com obras que ao longo dos últimos anos ficaram numa situação ainda pior.” Mas o que eu acompanhei, antes ainda, na gestão anterior, foi justamente a dificuldade de espaço físico para organizar o museu como instituição. Aqui na Casa de Cultura Mario Quintana nós enfrentamos dificuldades no dia a dia, que a própria casa também enfrenta, em relação à infra-estruturar, ao prédio. Mas o museu, eu acho que a situação mais difícil mesmo foi encontrar o acervo lá na Galeria Sotero Cosme. Todas as obras lá, com exceção dos papéis, que estavam aqui numa sala aqui no corredor, sala que agora foi transformada num Núcleo de Documentação e Pesquisa. Então nós fizemos um levantamento deste acervo, num total de 228 obras. Na gestão do Paulo Gomes, quando foi feito um último levantamento, eram num total de 99 obras. Ou seja, ouve um crescimento em 10 anos de mais de 100 obras. Só que de resto, a maioria das obras elas tem uma listagem, elas não tem um tombamento, a maioria dessas obras não foi dada entrada como patrimônio do Estado com termos de doação reconhecidos pela Secretaria... PANORAMA – Como deveria ser o modo correto de proceder nestas circunstâncias!
VENZON – Como deveria! Depois da gestão do Gaudêncio (Fidelis), que criou o museu, pouca coisa mudou. E o que foi feito por ele e deixado ainda é o que, digamos assim, credencia o museu a ter esse nome. POrque ele fez a implantação de uma forma bem técnica mesmo, com fichas e etc. A própria escolha das obras que entraram primeiro para coleção, elas são, hoje, obras de artistas que são fundamentais para a história da arte contemporânea brasileira. Então o museu tem essa vantagem de ter sido criado, não simplesmente no papel, mas de ter um conceito fundador que até hoje preserva a instituição existindo, faendo com que, entrando ou saindo governo, ninguém decida fechar o museu. Apesar do que aconteceu nos últimos quatro anos foi praticamente isso, havia apenas esta sala com uma estagiária, não havia funcionários e não havia uma direção ativa. Eram diversos cargos de comissão de assessoria pessoal do secretário da época, que determinava, que avaliava e escolhia os projetos que seriam expostos nas salas. A sala Sotero Cosme era a sala do MAC/RS, tradicional desde sua fundação, mas a Chico tinha aquela gestão caompartilhada com a Casa de Cultura. Isto foi o que nós procuramos resolver logo de chegada para atender esta demanda de exposições com critérios, e tentar estabelecer alguns novos critérios que ainda não são definitovos. Os que nós elegemos para 2011 forma de emergência, porque o MAC, assim como os demais órgãos da Secretaria não possuem orçamento próprio, não tem um aprevisão orçamentária, somente agora estamos providenciando isso. PANORAMA – Quantos por cento deveria ser, aproximadamente, do orçamento do Estado? VENZON – O nosso é 0,07%. O que deveria ser de acordo com a União é um por cento. Mas o ideal seria 1,5%, conforme a recomendação da UNESCO. Isso nós pretendemos mudar já para o ano que vem. Então, as dificuldades são, em primeiro lugar, falta de orçamento; as obras armazenadas em péssimas condições dentro de uma das salas da galeria Sotero Cosme; nenhum levantamento nos últimos anos do acervo, que foi o que nós imediatamente fizemos, fotografamos, fichamos tudo e providenciamos uma nova sala, que era uma sala para oficinas do IEAVI-RS. Conseguimos nos organizar, junto com a Vera Pelin (diretora do IEAVI-RS) e o Marcos Barreto (diretor da CCMQ), pois estamos numa situação delicada, porque precisamos mesmo deste espaço e as nossas galerias já estão há muito tempo superadas, em termos de estruturais (iluminação, climatização, segurança etc). Então partimos direto para tirar do 6º andar as obras de arte, e terminamos isto há pouco tempo, levando elas aqui para a sala C3, que era uma sala de oficinas, da ala leste da CCMQ, do IEAVI. Hoje estão todas ocupadas, no caso destas salas, pela biblioteca pública, ocupando assim diversos espaços dedicados ao IEAVI. Encontramos também dificuldades de pessoal, de equipamentos. Mas creio que de modo geral, o principal problema seja a organização da Instituição. Sem mailing,sem site... sem sequer saber onde se acendiam as luzes. A Casa como um todo não tem um corpo técnico, não digo que não sejam qualificados, mas não estão treinados para esta realidade bastante complexa de uma organização institucional. É lógico que no que pudermos colaborar com a Casa, nós iremos fazer. Mas está melhorando! Nós absorvemos, na medida do possível, a pauta de exposições que se apresentam espontaneamente, os projetos de exposição. Para isso nomeamos um comitê curatorial para isto, sendo que o Paulo Gomes, a Paula Ramos e a Vera Chaves Barcellos fazem parte do Conselho Consultivo, que também já foi nomeado. Nada disso existia, nos últimos quatro anos não existia conselho. A associação de amigos do MAC/RS nós também estamos reativando. Estamos criando novas estruturas, núcleos também. Criamos este primeiro núcleo aqui nesta sala e já recebemos também mais de cem publicações de instituições de artes que nos enviam e nos enviaram já algum material, uma coisa importante, pois restabelecemos contato com estas instituições. Alimentar e atualizar este acervo e oferecer, principalmente para o pesquisador, para o estudante de arte material que muitas vezes não está acessível. Atualizando o também o MAC em meio às Instituições. Também, agora há pouco, nos organizamos o leilão beneficente das vítimas da enchente que ocorreu em São Lourenço do Sul (RS) a pedido do Gabinete da Primeira Dama do Estado, onde pudemos arrecadar cerca de R$ 25mil com a venda de 60 lotes, e o recurso foi destinado para doação. PANORAMA – Falando sobre o acervo, como vocês pretendem fazer com que o acervo seja mais divulgado e venha ao público... ou que tenha algum tipo de retorno público? Que tipo de estratégias vocês utilizarão para que este objetivo?
VENZON – O objetivo da programação de 2011 é, ao mesmo tempo, ativar o MAC/RS e criar uma, digamos assim, projeção tornando o museu mais público enquanto instituição e a necessidade de fazer espaços para a arte contemporânea. Nós temos duas frentes de trabalho. Levar o museu mais a público, em termos de divulgação e visibilidade, e trabalhar no acervo, mais internamente, com a organização, com o restauro de algumas obras que se encontram extremamente danificadas, algumas obras integralmente danificadas...
|

Entrevistas



