Editora Panorama Crítico - 2009
ISSN:1984-624x
"Os editores da revista eletrônica Panorama Crítico me solicitaram uma pergunta a ser encaminhada aos curadores da 7ª. Bienal do MERCOSUL. Fiquei pensando no que eu gostaria de perguntar a eles e me dei conta de que não tinha nada a perguntar..."
Leia na íntegra
Pairando ainda sobre nossas cabeças as conseqüências da crise econômica mundial, pouco se fala de outra crise que persiste anos após ano, sem que haja nenhuma possibilidade de término: a crise das instituições culturais no cenário nacional. Salvo, talvez, raras exceções particulares e projetos federais de grande escala, a maioria das instituições, galerias e projetos públicos no âmbito da cultura é deficitária, ineficiente ou não alcançam o objetivo que pretendem.
Tendo em vista este cenário, o Panorama desta edição traz um texto de Paulo Gomes intitulado A Situação Crítica: uma Panorâmica, tratando sobre este cenário que “insiste em persistir”, e apontando as suas características e problemas, tais como a espetacularização excessiva de algumas grandes exposições em contraponto à falta de políticas públicas e privadas de peso, que fomentem a produção local e regional. Estas produções, por vezes, estão fadadas a deficitários editais públicos (quando existentes), sem nenhuma forma financeira de auxílio para a produção de exposições, a não ser a disponibilização de espaços, não raro estruturalmente comprometidos e com problemas de infra-estrutura.
Na Entrevista desta edição, tivemos a oportunidade de conversar com os curadores da 7ª Bienal do Mercosul: Grito e Escuta; o chileno Camilo Yáñez e a argentina Victoria Noorthoorn. Da conversa, é possível dizer que a proposta da bienal deste ano se coloca como um “sopro de alívio” na atual conjuntura citada anteriormente. O projeto dos curadores propõe-se a colocar em questão (e em exposição) os processos artísticos lado a lado com a produção final das obras. A 7ª Bienal do Mercosul: Grito e Escuta vai de 16 de outubro a 29 de novembro de 2009, em Porto Alegre, Rio Grande do Sul. Maiores informações sobre os acontecimentos e eventos da Bienal estarão disponíveis também no Blog da revista.
Na sessão Artigos, temos a segunda parte do dossiê com os textos sobre documentos de trabalho desenvolvido junto aos estudos do Grupo de Pesquisa “Dimensões Artísticas e Documentais da Obra de Arte”. Arquivos Fotográficos, de Elaine Tedesco; Sobre as coisas que escolhemos guardar ou que não conseguimos descartar: documentos de trabalho, de Marina Polidoro; e Marilice Corona, com Meus Documentos: A casa e o espaço da memória. Todos os textos são reflexões profundas sobre seu próprio processo, parte das pesquisas desenvolvidas por cada uma das artistas.
E na seção de Ensaios desta edição, apresentamos dois textos. Um é Lia no Infinitivo, de Vitor Butkus, acerca de comentários críticos sobre a instalação realizada pela artista Lia Menna Barreto, intitulada Pele de Boneca, que ocupou parte do espaço do Atelier Subterrânea (Porto Alegre) no primeiro semestre deste ano. O outro de Lílian Maus, que também compõe o grupo de pesquisas “Dimensões Artísticas e Documentais da Obra de Arte”, que leva o título de Documentos de Trabalho: cartografias do olhar, no qual a artista descreve intimamente seu processo criativo e as interferências que ocorrem nestes processos a partir da reflexão de como estes documentos interferem nos seus trabalhos artísticos.
A próxima edição da revista Panorama Crítico, de número quatro, está prevista para dezembro deste ano. Nela apresentaremos algumas reflexões e considerações após a 7ª Bienal do Mercosul e sobre a Bienal B. Para isto, convidamos os leitores a contribuir e colaborarem com as suas próprias considerações sobre o processo crítico e artístico ao longo destes dois meses que se seguem.
Agradecemos novamente aos entrevistados (Camilo Yáñez e Victoria Noorthoorn) e a assessoria de imprensa da Bienal do Mercosul, e a todos que colaboraram na produção e no envio de materiais para o fechamento desta nova edição.
Boa leitura.