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Deslocamentos e suas vibrações

Vânia Elisabeth Selzlein Sommermeyer

Resumo:
O texto traz três relatos que envolvem memória, deslocamentos e percursos, vividos no cotidiano das cidades de Novo Hamburgo e Porto Alegre. Aborda o fato de que tais experiências, advindas do acaso, ou em proposições com estratégias definidas, podem ser analisadas desde sua origem como evento até o desdobramento no processo artístico que segue. Os fragmentos coletados, os textos, os mapas e as imagens advindos destas experiências são tratados pela artista como pele, membrana, superfície de um mundo quase invisível. Nos deslocamentos são valorizadas não apenas as relações com o olhar, mas com o corpo e a mente, numa abordagem sempre em expansão, aberta para o desconhecido. Traz, ainda, artistas que se utilizam dessas mesmas estratégias e que igualmente valorizam os espaços abertos e urbanos, além de dispensarem atenção sobre os materiais rejeitados pela sociedade.

Palavras-chave: Deslocamentos, Momentos, Vivência, Processo, Membranas.


Abstract:
This text brings three reports that involve memories, movements and routes of daily life in the cities of Novo Ham- burgo and Porto Alegre. The text considers the fact that such experiences, happened randomly or in propositions with defined strategies, can be analyzed from its origin as event up to its development in the artistic process the texts follows. The collected fragments, texts, maps and images resulting from these experiences are treated by the artist as skin, mem- brane, surface of an almost invisible world. In the movement process it is valued not only the connections with looking but also with body and mind, in a constant expanding approach, open to the unknown. The text also presents artists who use these same strategies, and who also value urban opens spaces, giving attention to materials rejected by society.

 

KEYWORDS: Movement, Vibrations, Life experience, Process, Membranes


 

 

Nos rotineiros deslocamentos entre as cidades de Novo Hamburgo e Porto Alegre, minha atenção tem se concentrado nestas duas extremidades de meus percursos cotidianos, que trago sob a forma de três experiências-ensaio. A palavra ensaio disposta desta forma, remete ao que poderíamos exemplificar deste movimento de entrada e de saída realizado a partir destas duas cidades. Segundo Montaigne, o ensaio seria a escrita de um tempo inseguro e problemático, de um tempo ‘a deriva’.


Como ensaios derivantes sobre os percursos, apresento o primeiro, que foi fruto do acaso e analiso os demais, que se utilizaram de estratégias previamente definidas para os percursos, bem como os trabalhos advindos deles e sua forma de apresentação.


“Em janeiro de 2007 quando estávamos eu e meu filho aguardando o início da primeira prova ao vestibular de verão da UFRGS em Porto Alegre, vi por detrás de uma senhora que também aguardava e que se encontrava sentada numa cadeira de praia, uma inscrição na parede. A princípio me pareceu uma pichação, mas havia algo de decifrável em letras vermelhas, de uma frase que não conseguia ler por completo. Apesar do cansaço, nada me impedia de me mover. Precisei curvar-me, caminhar ora para um lado ora para outro, para poder ver melhor e decifrar o enigma. Já não me interessava o que os outros vestibulandos e seus pais iriam pensar desse meu vai-e-vem, pois tinha em mente um objetivo: descobrir o que se escondia por detrás daquela cadeira. Minha vontade era pedir que ela saísse, para poder ver tudo de uma vez, mas sua lassidão não permitia. Primeiro descobrindo letra por letra, depois as palavras e no final tudo sendo compreensível em minha mente para só depois se mostrar aos meus olhos. Surge um nome conhecido e em grandes letras: Clarice Lispector. Este fato só aumentou a minha curiosidade. A sentença, talvez escrita às pressas, com um pincel largo foi se mostrando por inteiro: “Liberdade é pouco. O que desejo ainda não tem nome.” Desvendado o mistério, e para não deixar escapar este momento, anoto num papel que tenho as mãos aquele fragmento tão bem escolhido. A vibração diante desta descoberta é o encontro da diferença em meio à normalidade cotidiana, onde a beleza do momento se fez na particularidade de uma apreensão. Não importa o lugar, a situação ou o tipo de deslocamento, nem o tempo que estes fragmentos poéticos ficarão guardados até serem apresentados ou revelados. Poesia em parede de cimento - poros poéticos feito superfície de contato, onde (tuchê) no grego é contato - quando se diz que alguma coisa se produz por acaso, nos encontra, nos toca, nos atinge como uma flecha perdida que vem subitamente ferir-nos. De uma aparição inicial para uma travessia transposta em forma de texto, temos que hoje a frase, como antes se mostrou, não existe mais. A parede está pintada e a declaração de Clarice Lispector já não ecoa mais pelo Campus do Vale. Não há imagem, só experiência e texto, onde situações vividas, como esta, perduram pelo relato, carecendo de outra forma de apresentação.


No dia 05 de julho de 2003, munida de câmera fotográfica, bloco de notas na mão e um traçado mental da cidade, definido[1], saí com o objetivo de caminhar, anotar, olhar, escutar e acima de tudo, deixar que o inesperado da cidade emergisse fixando aquilo que nos escapa no dia-a-dia. Revejo então o que denominei naquela ocasião As anotações da caderneta (2003) Reproduzo um pequeno fragmento destas anotações:


“Porto Alegre. Sinal. Homem verde. Mão vermelha. Capas de celulares. Flores. Bugigangas. Biscoitos em caixas. Cheiro de Incenso. Ônibus. Carros. Barulho. Passarinhos na gaiola. Bromélias atrás da vitrine. Ovos na galinha de arame. Cama. Travesseiro no plástico. Parque. Areia fazendo barulho nos sapatos. Faixas de segurança, muitas! Asfalto. 10h20min. Carros atrás das grades. Pessoas atrás das grades. Balconistas atrás de grades. Cartas atrás de grades. Chapéu na cabeça. Nome de mulher em edifício. Gato no colo do vovô. Jovens conversando. Embalagens na farmácia. Coloridas. 81163669. Parada de ônibus amarela. 81173368. 587 1435. Cortinas coloridas. Água em garrafas plásticas. 10h41min no relógio do túnel....


Na igual ação de potencializar um deslocamento, porém alheio, a artista Luz Maria Bedoia, monta no espaço de um livro o resultado de um mapeamento realizado por pessoas que ela convida para registrarem os seus deslocamentos cotidianos, entregando uma câmera fotográfica descartável com o pedido de retorno das imagens.

Passo a fixar meus momentos de deslocamento através de tipologias dos registros fotográficos obtidos[2] e a organizar este processo de trabalho apontando suas especificidades através de categorias: superfícies dos locais (paredes, fachadas, calçadas, marcas, sinais); capas ou revestimentos produzidos em objetos e na arquitetura (embalagens, interiores das lojas, pacotes, acessórios).


Isto me faz lembrar a atitude dos fotógrafos alemães da nova objetividade, que, nos anos 20, dirigiam um olhar não seletivo sobre a paisagem urbana, buscando igualmente uma organização visual de cunho tipológico do cotidiano das cidades, onde temos em Bernd & Hilla Becher, um exemplo marcante, que ao dirigirem um olhar não seletivo para a paisagem urbana buscam desenhar categorias e ordenamentos.

 

As minhas fotografias mostram o percurso pelas evidencias do trajeto, da geografia peculiar e da materialidade visível nos objetos encontrados ou avistados, onde segundo Baudrillard “cada objeto fotografado não é senão o vestígio deixado pela desaparição de todo o resto” (BAUDRILLARD. 1997.p.35). Isto nos faz perceber que somente a atenção não dá conta de reter o instante de visibilidade, então a fotografia contribui para reter o observado, salvaguardando o invisível numa apreensão justificada no visível, onde preservamos um tempo e a visão dele pela imagem. As Anotações da Caderneta (2003) seguem o modo original como foram registradas e o conjunto de imagens pode resultar em livro, alimentar um projeto de exposição fotográfica ou permanecer arquivado como registro do percurso, deflagrando o processo seguinte. Uma cartografia própria passa a se desenhar, como que, preservando e sinalizando um mapa particular de percursos físicos e de vivências, que guardado e dobrado caberia em uma caixa ou gaveta. Que objetos circulam nestes percursos? Como alteram a textura do mundo visível?

 

 

 


 

Trago de Walter Benjamin o conceito chave, de passagem, no qual  os enunciados são revelados pelas cidades contemporâneas, através de uma escrita como marca gráfica e uma escrita em pensamento, pois “no autor moram, se alojam imagens, sabedorias, palavras, que sem ele – quem poderia dizer se depois de tudo e de que modo se teriam firmado em  nossos dias?” (BENJAMIN, 1995.p.207).


A cidade e suas gavetas de 2003 é um mapeamento gráfico de momentos vividos com base em minha relação com Novo Hamburgo, a cidade onde vivo desde 1962. Venho assinalando num mapa os meus movimentos durante vários anos, e em fichas eu anoto os fatos relevantes. Produzo um sistema de gavetinhas de papel no verso do mapa, que ao serem puxadas deixam a mostra a descrição que se relaciona a cada local evidenciado no mapa. O que resta de minhas vivências são uma imagem fotográfica e um mapa espesso.


Nesta condição temporal de sujeito urbano, redesenho momentos em meio às lembranças e os percursos, que ao serem revelados nas minúcias se mostram com localizações precisas, como revela (CARERI, citado por SILVA. 2007, p. 25): “É como se a deriva tivesse começado a criar na cidade uns vértices afetivos, como se a geração constante de paixões tivesse permitido que os continentes, assumissem uma autonomia magnética própria, e que tivessem empreendido por si mesmos sua própria deriva através de um espelho líquido.”[3] Estes fatos se inscrevem indicando, o processo artístico a seguir, que é construído na esteira da experiência[4] e da constatação de sua poética, onde Didi-Hubermann constata dois sentidos se abrindo para a palavra experiência: “o sentido físico de um protocolo experimental e o sentido de uma apreensão do mundo” (HUBERMANN, 1997)[5]. De igual modo encontramos em Paul Ardenne o termo arte contextual onde temos a “experiência como regra artística”, dentro de um contexto real, a partir da relação com as coisas concretas.[6]


Com As anotações da caderneta, (2003) e A cidade e suas gavetas, (2003) os achados circunstanciam-se e revelam as descobertas. Ao coletarmos os materiais temos a presença dos fenômenos que se relacionam diretamente com o viver, com a experiência que fazemos destas circunstâncias. Pela fotografia congelamos o que não podemos reter entre os dedos. Os objetos que coleto, também como fragmentos da experiência - sobras, restos - os denomino Lugares em repouso. Estes conteúdos são armazenados em caixas no atelier para, num outro momento, quando por algum procedimento artístico, serem ativados[7]. Podem igualmente permanecer inertes no Depósito das latências.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


 

 

 

 

Lembro o quanto me marcou conhecer o trabalho do americano Robert Smithson que com seu olhar contextual produzia deslocamentos de objetos e de informações, onde “realizou na verdade um complexo interdisciplinar, envolvendo objetos, mapas, desenhos, fotografias e filmes, além de notáveis site specific”, onde relacionava “o dentro e o fora, o natural e o urbano, a arte e ciência, o fixo e o móvel, a forma e o informe, bem aos moldes do ‘entrelaçamento dos termos’ de que falava Merleau-Ponty, e já bem distante do estruturalismo minimalista.” (CANONGIA, 2005. p.70). Interessa-me muito observar este artista exatamente pela dinâmica da operação de deslocamento e de suspensão que ele produz. Nos anos 70 Gordon Matta-Clarck atua de forma política no espaço público, enquanto na Inglaterra o inglês Richard Long, impõe-se uma estratégia de marcar, percorrer espaços abertos. Também Francis Alys, artista que vive no México, se fixa no passeio como arte, transformando as cidades em laboratório de suas proposições. No Brasil tivemos bem antes disso, num caráter performático e radical o artista Flavio de Carvalho que “em plena procissão de Corpus Christi, pôs-se a caminhar no contrafluxo dos fiéis, com um nada discreto chapéu verde musgo na cabeça”[8]. Estava inaugurada a Experiência nº. 2 (1931) seguindo-se a Experiência nº. 3 em 1956. Depois temos Hélio Oiticica, que propunha o seu Delírio Ambulatórium (1978) com Luis Fernando Guimarães visando: "caminhar pela periferia da área-baldia demarcada durante a duração da performance”[9]. Para ficarmos com um exemplo mais próximo de nós, temos na pesquisa[10] conduzida pela artista Maria Ivone dos Santos dois momentos envolvendo a cidade: Fração Localizada: Dilúvio (2004) e Fração Localizada: Camelódromo (2007).


Sobre a pesquisa diz Maria Ivone: “nos dedicamos a observar o espaço urbano integrando as caminhadas, suas experiências e seus reconhecimentos em nossa prática artística. Ambas se encontram em pontos nevrálgicos de Porto Alegre no que tange a ocupação humana e às atividades e destinos dados a estes lugares ao longo do tempo”[11].


Quando Georges Perec diz que “poderíamos escrever nas paredes (como se escreve às vezes nas fachadas das casas, nos tapumes de obras, nos muros das prisões), mas raramente o fazemos” (PEREC. 1973. Trad. por SILVA), me volta a imagem daquela frase na parede, onde “abismados” pelo que vemos realizamos o incomum através dos relatos, anotações, mapas, fotografias, coletas e intervenções.


Os deslocamentos e suas vibrações revelam o que a cidade nem sempre mostra: sua superfície feita tecido, pele, membrana, onde o artista, este que capta a energia dos lugares e dos fragmentos, produz um diário sempre em expansão. Neste ponto Paul Michel, o personagem de Alucinando Foucault, poderia supor que, “ainda que os edifícios, caminhos e lojas mudem de fisionomia, continuam a ser apenas a superfície das coisas”. E é nas superfícies deste mundo; nos objetos, edifícios e absolutamente tudo o que lhe cobre; que meu olhar toca e fixa nas fotografias, e alimenta os trabalhos que seguem no meu processo artístico, as capas e os recobrimentos, as latências guardadas e seus novos agenciamentos.[12]

Bibliografia:

 

Livros:


ARDENNE, Paul. Un Art Contextuel. Création artistique en milieu urbain, en situation, d’intervention, de participation. Paris, Flamaarion. 2004.
BAUDRILLARD, Jean. A arte da desaparição. Rio de Janeiro. Editora da Universidade Federal do Rio de Janeiro. 1997.
BENJAMIN, Walter. Rua de Mão Única. São Paulo. Editora Brasiliense. 1995
_______________. Passagens, Belo Horizonte: Editora UFMG, 2007.
BERNARDES, Maria Helena. Retrato da Utopia. In: Alexandre Santos e Maria Ivone dos Santos (Orgs). A fotografia nos processos artísticos contemporâneos. Porto Alegre: Editora da UFRGS, 2004.
NOVAES, Adauto (org.) Artepensamento. São Paulo. Editora Schwarcz. 1994. CANONGIA, Ligia. O legado dos anos 60 e 70. Rio de Janeiro. Jorge Zahar. 2005. DUNCKER, Patrícia. Alucinando Foucault. São Paulo: Editora 34.1998.
PEREC, Georges. Espécies de Espacios. Paris. Montesinos. 1973.


Revista:
Porto Arte. Revista de Artes Visuais. Porto Alegre: UFRGS, n. 15, 1997. Revista Educação & Realidade. jan. /jun. de 2004.
Catálogo:
DIDI-HUBERMANN, Georges. Do Catálogo de Exposição – Centre Georges Pompidou-Paris, 1997. Tradução de Patrícia Franca de “Impressão, marca, sinal”, 20001, p.4.


Links:
http://www.macvirtual.usp.br/mac/templates/projetos/seculoxx/modulo2/modernidade/eixo/cam/artistas/carvalho3.html http://www.itaucultural.org.br/aplicexternas/enciclopedia/ho/index.cfm?fuseaction=documentos&cod=462&tipo=2
http://blogs.publico.pt/artephotographica/files/mariacseren.html


Dissertação:
SILVA, Marina de Camargo. Dissertação de Mestrado/UFRGS: Desenho e pensamento: imagem e texto, deslocamentos e cidades. Porto Alegre: 2007.p.25.


Artigo:
SANTOS, Maria Ivone dos Santos. A observação de um lugar urbano como ação da arte. (no prelo)

1. O passeio como estratégia, foi exercício coletivo proposto por Jailton Moreira no ano de 2003, tendo como saída o Torreão e ponto final o Mercado Público de Porto Alegre.

2. Percursos, 2003 é a série de fotografias captadas enquanto se davam as Anotações da Caderneta, 2003.
3. CARERI, Francesco In: SILVA, Marina de Camargo. Dissertação de Mestrado/UFRGS: Desenho e pensamento: imagem e texto, deslocamentos e cidades. Porto Alegre: 2007.p.25.

4. “A palavra experiência é composta pelo prefixo latino ex – para fora, em direção a – e pela palavra grega peras - limite, demarcação, fronteira-, significa um sair de si rumo ao exterior, viagem e aventura fora de si, inspeção da exterioridade”. In Arte e Pensamento.Org. Adauto Novaes. CHAUI, Marilena. Merleau-Ponty. Obra de arte e filosofia. São Paulo. Editora Schwarcz. 1994.p.472,473.

5. Tradução de Patrícia Franca de Texto de Georges Didi-Huberman do Catálogo de Exposição – Centre Georges Pompidou - Paris, 1997. “Impressão, marca, sinal”, 2001, p.4.

6. Segundo Paul Ardenne, “arte contextual é uma arte de acontecimento, considerando o mundo este acontecimento”. É o “investir na realidade e nela ativar um processo, numa temporalidade especifica”.
7. Em minha pesquisa os termos ativação e latência estão presentes, através de ações e operações conduzidas no processo envolvendo os fragmentos cotidianos. Surgem coleções, imagens, colagens, objetos, revestimentos, interferências e desvios nos processos de produção gráfica.

8. MACHADO, Vanessa (bolsista). Daisy V.M. Peccinini de Alvarado, coord. do Projeto Mapeamento Flávio de Carvalho, MAC, USP.
9. OITICICA, Hélio. In. Programa HO. Tombo 0091/78-5/7. Itaú Cultural. SP.

10. As extensões da memória: a experiência artística e outros espaços” é pesquisa conduzida desde 2004, pela Drª.profª. Maria dos Santos, PPGAV, UFRGS.

11. SANTOS, Maria Ivone. A observação de um lugar urbano como ação da arte. No prelo.

12. http://www6.ufrgs.br/escultura/espaco_montagem/vania.html

Vânia Sommermeyer fig 1,2,3   Percursos, 2003 (pelas ruas de Porto Alegre)
Fig.4 Pilhas laranjas - fig. 5 rolos de sobras de tecido - fig.6 Intervenção FORMAS, 2007 (detalhe) Vânia Sommermeyer - Depósito das Latências, 2007
fig.7 Móvel da Sala - fig.8 capa do banco - fig.9 Dobras, 2007 Vânia Sommermeyer. Intervenção Formas, 2007. Espaço de Montagem, IA, UFRGS.

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