Ensaio

Porto Alegre - Quinta-feira, 26 de junho de 2008 16:40 - 17:25, 15°C, chuva.[1]

Na Quinta-feira, 26 de junho de 2008, foram feitas entrevistas com pessoas que estavam em paradas de ônibus, ou próximas a elas, no entorno do prédio do IA. Refizemos a caminhada proposta pela professora em outro momento de aula, buscando encontrar pessoas dispostas a responder nossas perguntas.


Cada membro do grupo teve uma função específica no momento da entrevista. A aluna Roberta foi quem realizou as entrevistas; o aluno Denis fotografou as ações; Katiúscia descrevia as pessoas, suas roupas e sua aparência; Claudia anotava o local exato da entrevista e suas características e Janete anotou o horário e as condições do tempo.


O trabalho constituiu em uma ação e depois uma intervenção no espaço com os dizeres dos entrevistados nas paradas de ônibus ao longo do percurso da caminhada realizada na aula de Laboratório da Linguagem Tridimensional. Inicialmente fomos pela Senhor dos Passos até a Praça Rui Barbosa, onde realizamos as primeiras entrevistas. Entramos à esquerda na Avenida Júlio de Castilhos, onde mais pessoas que aguardavam em paradas de ônibus foram abordadas. Finalmente, viramos na Rua Marechal Floriano, local das últimas paradas de ônibus do percurso, onde foram feitas outras entrevistas. A ação foi realizada entre 16:40 e 17:25.

Adesivos das entrevistas farão parte de um segundo processo, onde juntamente com os colegas faremos o percurso nos locais onde foram realizadas as entrevistas, e contaremos as historinhas do que se passaram naquele dia. As perguntas tiveram o propósito de relatar o cotidiano das pessoas, pessoas normais com vidas normais. A questão principal é que, todos são seres individuais, todos têm particularidades em cidades grandes e em cidades pequenas; e essas personalidades se omitem misturando-se na multidão. Dessa forma, destacamos tais indivíduos, marcando sua presença em certos locais e em certos horários, por que eles estiveram ali, não só como uma massa, mas como pessoas. E é um ato muito efêmero, estar e não estar. Fazer parte de um espaço e não fazer. Verdadeiras alternâncias de personalidades e estilos.

O processo, a princípio, foi simples, mas sofreu alguns contratempos. Logo que saímos do Instituto de Artes, começou a chover e apenas alguns de nós carregavam guarda-chuvas. Mesmo com guarda-chuvas, a chuva foi de certa forma um empecilho, visto que precisávamos usar as mãos para fazer anotações. Era preciso que os membros do grupo não influenciassem a ação com os entrevistados, apenas a Roberta, a encarregada, fez as entrevistas. Ela aproximava-se das pessoas, e os outros ficavam afastados registrando a aparência, o local, o tempo e tirando fotos. Para a Katiúscia, foi um pouco complicado fazer as anotações com a chuva, pois as folhas ficavam molhadas e o grafite não se fixava bem às folhas, e os colegas diziam que ela parecia estar usando "tinta invisível". Para os que analisavam as pessoas e os lugares, às vezes era complicado ver as pessoas sem serem vistos. O Denis, o responsável por capturar as fotos, teve que usar muita prestidigitação para tirar as fotos sem ser flagrado, muitas vezes resultando em fotos obstruídas por pessoas que passavam. Esse foi outro dos nossos obstáculos, pois o local, o centro de Porto Alegre é muito movimentado e muitas vezes pessoas passavam na frente no momento de captação das fotos ou esbarravam em nós enquanto anotávamos o que nos seria necessário. De fato, por uma vez foram registradas descrições da pessoa errada, devido ao imenso número de pessoas na parada em que a Roberta realizava a entrevista. Notamos certos locais interessantes da cidade durante o processo, incluindo um bar chamado "Encontros". Depois de 14 entrevistas, reunimo-nos no atelier de um dos entrevistados e colega do Instituto, Adalberto, para organizar o material recolhido. Ele nos serviu um café com bolachas, mas a Katíuscia tinha que ser do contra e pediu um chá.

Um desdobramento desde trabalho foi a sua inserção na web, através da ferramenta Google Earth. Posteriormente, para cada entrevista foi produzido um texto justaposto a foto respectiva da pessoa entrevistada e, através da internet, colocada no mapa virtual/digital da cidade de Porto Alegre.


As perguntas foram:


1-    Como é seu nome?
2-    De onde você vem e para onde você vai?
3-    Com que frequência você usa essa linha?
4-    Como você está se sentindo?

Relatos de alguns membros do grupo:


Roberta:

“Eu achei muito interessante fazer a entrevista. Pois encontrei pessoas tristes, alegres, pessoas estressadas, pessoas de bem com a vida, outras que não davam abertura e praticamente não falavam, e outras, com uma simples pergunta respondiam com inúmeras palavras e muitos levavam o assunto para a vida pessoal. Essa ação mostra o quanto sensíveis e carentes somos. Toda aquela multidão e todos se relacionam por características. Cada pessoa tem um foco na vida e vai até ele, ou tenta pelo menos, ou não tenta e vive conforme as condições do dia. Elementos efêmeros que vem e que se vão, e cada segundo é um momento novo; o trânsito de veículos e pessoas enlouquecidos e que necessitam andar juntamente para cumprirem suas obrigações.”


Janete:

“Eu achei muito interessante o trabalho realizado pelo grupo na quinta-feira 26 de junho. Apesar de não ter feito diretamente as entrevistas, me interessei muito em saber o que as pessoas responderiam à nossa entrevista, tão diferente daquelas que habitualmente conhecemos. Saber como elas reagiriam a alguém que surge do nada, e faz perguntas de caráter pessoal e intimista, e não a necessária frieza presente em pesquisas quantitativas e até mesmo qualitativas. Depois de colocarmos todas as respostas diante de nós, foi interessante perceber que aquelas pessoas até então anônimas, às quais não se presta muita atenção, têm toda uma história e vivem situações absolutamente particulares. Não que isso não seja óbvio, cada indivíduo é único, sem dúvida,, mas analisar mais de perto algumas minúcias de cada indivíduo expande um pouco o senso de realidade.”

1. Claudia Flores, Denis Nicola, Janete Nedel, Katiuscia R. P. Nunes, Roberta Agostini. - Trabalho realizado em Laboratório da Linguagem Tridimensional, Prof.ª. Maria Ivone dos Santos.

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