Editorial

A crise da crítica, hoje em dia, é um assunto sempre recorrente nas mais diversas esferas culturais. Já a “crise da crítica de arte”, no entanto, (ponto de referência e mote da criação da revista Panorama Crítico) é especificamente um problema à parte. Principalmente quando esta crise se refere às produções da arte contemporânea como um todo. Invariavelmente, não é somente a “crise da crítica” ou a “crise da arte”, proliferada lentamente pelos corredores da sociedade, fator determinante para a sua pouca (ou enevoada) visibilidade. A “crise da mídia”, entre outras rupturas ocasionadas pelas transformações da sociedade contemporânea/global, parece ser mais um ponto culminante adicionado a este problema emblemático, que parece sempre apresentar-se sem solução, seja a curto, médio ou longo prazo.


Tendo em vista estas questões, como Panorama desta edição, apresentamos a tradução do texto do artista e crítico de arte norte-americano Peter Plagens, Arte contemporânea revelada (Contemporary art uncovered ). O crítico nos apresenta, sobre a ótica do mercado de arte norte-americano, o maior e mais rico do mundo neste campo, a “decadência” (ou decaída) da crítica de arte (principalmente nas reflexões da arte contemporânea) e das relações que os jornais, revistas, programas de TV, entre outros, têm com os seus públicos, tanto os anteriores, quanto os atuais. Estas relações também se estendem as instituições e galerias que providenciam contextos para o debate crítico. Acreditamos que, com este texto, é possível ser traçado um paralelo com o mercado/circuito da Arte Contemporânea Brasileira. Embora alguns pontos relevantes levantados pelo autor possam parecer exagerados para alguns leitores, ainda assim fica a questão: a situação do nosso mercado/circuito da arte, assim como das mídias existentes em território nacional para a veiculação da mesma, guardadas as suas devidas proporções, não se assemelha em muito com o sistema norte-americano?


Já na seção Artigos, temos o texto de Flávio Gonçalves, que nos apresenta, em linhas gerais, o estudo sobre documentos de trabalho desenvolvido junto ao Grupo de Pesquisa “Dimensões Artísticas e Documentais da Obra de Arte”. Também há o texto de James Zortéa, sobre os seus próprios documentos de trabalho, procedimentos de coleta e organização deste material, e o modo com que estes documentos apontam conceitos em seus trabalhos artísticos.


Na seção de Ensaios, apresentamos um pequeno dossiê de três textos produzidos durante a disciplina de Introdução a Museografia do curso de Artes Visuais da UFRGS, ministrada pela Prof.ª. Drª. Ana Maria Albani de Carvalho. São os textos críticos/analíticos sobre a exposição Iberê Camargo: um ensaio visual, realizada na Fundação Iberê Camargo em Porto Alegre: de Ismael Monticelli, sobre a questão museográfica em relação à arquitetura autoral; e de Vitor Butkus sobre a curadoria da mostra. Também temos uma resenha crítica de Alice Souza sobre a exposição das obras da pinacoteca da APLUB, realizada no MARGS.


A Entrevista desta edição, realizada e enviada por Lilian Maus, é com a artista Maria Helena Bernardes. Trata-se de uma conversa sobre a produção da artista e as relações entre a instauração de sua obra e o seu processo de documentação. A entrevista é parte integrante da pesquisa realizada pelo Centro de Documentação e Pesquisa: “Dos arquivos à comunidade” (CDP/UFRGS).


Assim, agradecemos a todos que colaboraram e enviaram seus materiais para o fomento desta edição, comunicando que em breve, com tempo, publicaremos os textos que não puderam entrar neste número da revista. Agradecemos também a Peter Plagens pela receptividade à nossa proposta editorial, e a Brant Publications Inc. pela pronta disponibilidade de acesso e ajuda que ambos tiveram com a equipe.


Com a terceira edição prevista para meados de outubro, convidamos a todos que se sintam inspirados, a contribuir e/ou colaborarem com a continuidade e o crescimento deste projeto independente.


Por fim, gostaríamos de agradecer a todas as pessoas que acreditaram e apoiaram este projeto até este ponto, assim como esperamos que cada vez mais pessoas possam se interessar e possibilitar a troca de informações e conhecimento tão necessário para o crescimento da revista PanoramaCrítico e sua consolidação como um meio imparcial, independente e público das artes visuais.

Os Editores

Panorama Crítico Editora e Comércio de Publicações Ltda. CNPJ 10.582.737/0001-13 - Brasil

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